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Por: comKids (Redator)

IPe (Identidade Peruana) é o nome do canal público de televisão de programação cultural e educativa para crianças e jovens, lançado em julho de 2016 no Peru. O nome do projeto já diz a que veio. A programação de 10 horas diárias é um espaço para a expressão da cultura local e a difusão de criações de jovens peruanos, uma alternativa à TV comercial com diálogo aberto para produções internacionais de qualidade.

A seguir você confere um pouco dos bastidores da preparação e do período de pesquisa que antecederam o lançamento do Canal IPe. O relato é de Marcela Benavides, diretora executiva do canal. Marcela é colombiana, ex-diretora do Señal Colombia, e chegou a Lima no começo do ano para implantar o novo canal com uma equipe experiente em televisão pública, a convite da presidente executiva do IRTP (Instituto Nacional de Radio y Televisión del Perú), Maria Luisa Málaga, a gestora do projeto peruano.

Bastidores da criação de um canal infantojuvenil 
por Marcela Benavides

Nos cinco meses que antecederam o lançamento do canal nos concentramos na pesquisa e no planejamento, levando em conta as condições, necessidades e possibilidades de um canal cultural para crianças e jovens. A partir das orientações estipuladas pela equipe da TV Perú, iniciamos nos perguntando sobre as expectativas do novo canal com respeito a diferentes cenários.
Fizemos um reconhecimento do marco legal existente e das fontes de financiamento. Repassamos a oferta da televisão peruana, exploramos a composição social, cultural e demográfica dos jovens e das crianças peruanas, iniciamos um mapa do setor audiovisual do Peru e, por fim, realizamos a comparação entre os modelos de operação de dez canais da América Latina no México, Argentina, Colômbia, Brasil e Peru. Isso nos deu uma sustentação conceitual para desenhar um canal pertinente e viável para o Peru.

Identidade peruana
Descobrimos que a média de idade dos peruanos é de 27 anos, que 37% da população é menor que 18 anos e que 12% é menor de 5 anos. Queríamos oferecer a essas crianças e jovens um canal que as conectasse com as suas maneiras de pensar, criar e consumir conteúdos, desde a perspectiva da sua identidade como peruanos.
Também nos demos conta da importância de produzir conteúdos que rompem estereótipos predominantes.

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Crianças na inauguração do Canal IPe, em julho de 2016. Imagem extraída de http://www.educacionenred.pe/

O desenho do projeto
Optamos por um modelo que mostrava às crianças e jovens as versões mais próximas daquilo que elas realmente são, distanciando-se do olhar estereotipado ou aspiracional, dando valor aos desejos, talentos e iniciativas. Assim, pensamos em um modelo de construção de conteúdos infantis com as crianças que fosse divertido, próximo de suas idiossincrasias e que estivesse de acordo com as distintas etapas vitais.
A partir do que realizamos na etapa anterior, nos alinhamos com o conceito de televisão de qualidade, em que a diversidade de formatos, vozes e temas contribuem nos processos de reconhecimento de múltiplas identidades e também no conceito de prosumer, considerando as formas de consumo de mídia das crianças e jovens de hoje, através de janelas múltiplas, com grande participação e contribuição na geração de conteúdos.

Objetivos do IPe
Nós planejamos os 17 objetivos para todo o projeto, embasados em princípios que devem atravessar toda atividade criativa, operatória e de produção do canal: em primeiro lugar o compromisso e respeito pela infância e pela juventude como etapas vitais que aportam valor à sociedade, a riqueza da diversidade cultural, a importância de se visibilizar e praticar relações de equidade, a necessidade de cuidar do meio ambiente, o imperativo da descentralização e o alcance nacional, a expressão e o diálogo como base de qualquer construção, a responsabilidade social individual e coletiva, a participação, a integração, a criatividade, a qualidade e a inovação.
A partir desse trabalho prévio, desenhamos a programação e as produções, em função de duas faixas principais: crianças e jovens, subdivididas, por sua vez, a partir das características dos grupos etários vistos como conjuntos de pessoas que concordam quanto à afinidade de gostos e estilos de vida.

Modelo de operação
Estamos centrados na formalização dos processos a partir do planejamento de papeis e de fluxos de trabalho por áreas, na formulação de políticas editoriais e de relação com as audiências, assim como na construção de manuais para diferentes processos criativos, técnicos e operacionais.
O modelo de operação foi projetado para combinar a produção interna com coproduções e trabalho com o setor audiovisual independente.
Foi um grande desafio para todos, fomos obrigados a sair da zona de conforto e deixar de fazer as coisas como sabemos ou como acreditamos que devessem ser. Se, por um lado, os métodos de trabalho que propúnhamos eram uma forma de satisfazer as necessidades identificadas, isso era a nossa maneira de fazer. A realidade nos obrigou a fazer um balanço entre o que acreditávamos saber e o que precisaríamos esquecer para aprender sobre o outro.
A produção peruana funciona com pouca segmentação de papeis e lá várias pessoas desempenham papeis de maneira simultânea, o que representa certas dificuldades para o desenvolvimento de formatos especializados para crianças e jovens, onde é necessário um olhar particular para a equipe de conteúdos e também para a realização. Então, nós buscamos pessoas jovens, com afinidade e sensibilidade quanto a tais conteúdos, com disposição de construir um modelo de trabalho novo. É assim que, em muitos casos, desarmamos o que trazíamos e voltamos a armar de outra forma com os aportes de todos, a somatória das experiências e olhares diferentes, concessões de todas as partes e síntese em algo novo e certo para uma primeira etapa.

Programação
No dia 2 de julho de 2016, foram estreados 13 programas próprios, realizados por uma equipe de 140 pessoas, 3 coproduções, 54 horas de programação estrangeira de 22 países e uma web que, além de ser complementar à programação, desenvolve conteúdos de interesse para crianças e jovens, também para seus pais e cuidadores. No futuro, esperamos que seja possível fortalecer o aspecto transmidiático dos projetos, produzir web-séries, jogos e aplicativos.
A acolhida foi imensa, milhares de jovens nos escreveram e é emocionante ver como eles estavam ávidos por ter conteúdos que os fizessem visíveis, que lhes dessem voz e, no caso dos pequenos, que lhes entregasse formatos próximos, divertidos e úteis para suas vidas. Não podemos esquecer que o Peru não produz conteúdos infantis há muitos anos e que no ano anterior houve uma marcha de jovens contra a televisão de baixa qualidade, fartos da oferta dos canais privados que lhes dão o mesmo há anos: realities que atentam contra a dignidade das pessoas, reforçam estereótipos e as discriminações de gênero, raça entre outras.

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Animapaka, Pakapaka, Argentina. Conteúdo consta na programação do canal peruano. Imagem: divulgação.

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El mundo animal de Max Rodriguez, Colômbia. Conteúdo consta na programação do canal peruano. Imagem: divulgação.

Próximos passos

Cada etapa nos trouxe suas próprias aprendizagens e devem continuar. Um canal é um espaço dinâmico, em constante evolução que requer certa estabilidade para acoplar-se, mas é necessário termos, ao mesmo tempo, flexibilidade e dinamismo para reagir frente àquilo que funciona e o que não. Conseguir, em tão pouco tempo, o que estamos vendo nessa primeira etapa nos enche de orgulho a todos nós. Sabemos que os desafios são enormes: conseguir um financiamento que seja suficiente para manter o canal, contar com uma continuidade institucional que permita amadurecer os processos e projetos, reforçar um modelo de produção que permita manter e melhorar a qualidade dos conteúdos e, sobretudo, conseguir descentralizar a produção, para dar conta das diversas identidades do país.
O entusiasmo, a vontade de fazer, a disposição e interesse da equipe foram essenciais para essa primeira fase, tão intensa. A experiência mudou a nossa vida, pois todos tivemos grandes aprendizagens no profissional e no pessoal.
Grata à Tv Perú e à equipe do IPe por nos recebe rem seu país, por dar todo o suporte necessário para levar adiante essa primeira fase do projeto e por permitir-nos construir juntos o canal das crianças e jovens peruanos. Todo o reconhecimento para a equipe colombiana de La Lupita Producciones: Claudia Bautista, Liliana Casa, Teresa Loayza, Carolina Robledo, Jaime de Greiff, Raynier Buitrago e Inti Ávila.

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