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Por: comKids (Redator)

Por Melina Masnatta, convidada do site comkids. Bailarina, professora, especialista em educação e tecnologia

A relação entre corpo e tecnologia é um tema que preocupa e exige uma reflexão. Recentemente, em sala de aula, uma docente afirmou: “as crianças se movimentam cada vez menos, estão sempre em frente a uma tela”. Na sequência, uma discussão acompanhada de anedotas e lugares comuns nos despertou a necessidade de refletir sobre o nível de generalização contida nesta afirmação.

A princípio, não podemos deixar de lado os contextos e como eles se configuram com certas formas de articula-los. Dessa forma, qual é a relação do corpo no espaço escolar?

Muito se investigou e teorizou a respeito do tempo. Uma das referências na área é Pablo Scharagrodsky, cujos trabalhos indagam as formas de entender a cultura corporal própria do mundo da escola.

A arquitetura do espaço escolar não é neutra. Ela se associa a determinadas formas de ser e estar, aprender e ensinar que se cristalizam em posturas e movimentos corporais de atores que convivem neste território tão particular.

Por outro lado, as tecnologias – de smartphones a ultrabooks – facilitam a mobilidade, permitindo que nos movimentemos de um lugar para outro levando conosco escritórios virtuais, correios eletrônicos, bibliotecas, arquivos e até a discografia completa de nossa banda preferida.

Isso corrobora na busca para incoporar o movimento como linguagem, como forma de nos comunicarmos com os dispositivos tecnológicos que transcendem os teclados. Em outras palavras, para encarar o corpo como interface.

Lançamentos tecnológicos mais recentes começam a marcar tendência nesse cenário. Uma das novidades recentes é o Kinect, uma tecnologia de controle para videogames que substitui os clássicos joysticks.

E qual é a mudança real? A novidade é que o usuário controla e interage com esta tecnologia através de gestos, movimentos e vozes que são naturais e próprias, em vez de adaptar-se às formas alheias dos dispositivos tecnológicos.

Ao experimentar o potencial do Kinect, um grupo de estudantes universitários, programadores e docentes criou uma comunidade para promover o uso deste recurso nas aulas.

O grupo, denominado KinectEDucation, está constantemente criando aplicações e softwares (open source) que vão desde como expandir as aulas de arte através de guitarras e pianos virtuais, até aprender linguagem de sinais, ter acesso a noções complexas de astronomia manipulando objetos 3D ou estudar a anatomia humana com imagens projetadas que respondem ao movimento.

As aulas de ciências se transformam em experiências imersivas e vivenciais. E o mais interessante é que cada vez mais os custos são menores e as possibilidades de acesso, maiores.

O Leap Motion é um exemplo recente disso: a “caixinha mágica” se conecta por USB com o computador, o que permite manejá-la apenas com movimentos de dedos e mãos, sem qualquer necessidade de teclado ou mouse.

Os movimentos corporais nos definem, são parte de nossa identidade, uma linguagem de expressão que antecede a origem da palavra e a existência cultural.

Se nossos espelhos agora são nossas telas, podemos imaginar novas formas de aprender e ensinar com as tecnologias. Algo que expanda e supere as possibilidades, que permita a exploração e criação.

(texto publicado no site Educ.ar, do Ministério da Educação da Presidencia de La Nación Argentina)