Colunista

Emidio Sanderson

Por: Emidio Sanderson

A infância dificilmente se destaca entre as pautas das políticas culturais em todo o país. Como resultado, o acesso à cultura passa a ser mais um direito violado à criança brasileira, ao lado da saúde, da educação, da moradia, entre outros.

Conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o acesso à cultura é um direito fundamental das crianças há 25 anos. Porém, esse direito está longe de ser universalizado. Existem muitos obstáculos a serem eliminados, sobretudo, a falta de hábito cultural do povo.

Em 2015, o Sesc divulgou sua última pesquisa sobre o hábito cultural do brasileiro. 55% dos entrevistados não realizaram nenhuma atividade cultural em 2014. Cerca de 90% não assistiram a um espetáculo de teatro nem de dança. Somente menos de 30% foram ao cinema.

Estima-se que o cerne desse problema perpassa por uma questão intergeracional, ou seja, se a criança não tem contato com atividades culturais, ela não terá um hábito cultural quando adulto. É preciso inserir a cultura no cotidiano das crianças para reverter esse quadro.

Além disso, grande parte dos conteúdos culturais para a infância está limitada à cultura de massa, a qual é dominada por referências estrangeiras e reforça velhos preconceitos e tabus.

Não se trata de privar as escolhas do indivíduo; porém, a criança precisa ter acesso a outras opções culturais que vão além de personagens da indústria de entretenimento. Diversificar as referências culturais durante a infância é crucial para a liberdade e o desenvolvimento do ser.

Entretanto, as produções artísticas que trazem novos conteúdos culturais ainda são parcas, já que, muitas vezes, a infância é excluída do mercado cultural por parte de financiadores, curadores, programadores e imprensa.

Por outro lado, ultimamente, uma nova cena artística vem surgindo, ao mesmo tempo em que exploram novas narrativas, estéticas e poéticas voltadas para a infância e a família contemporânea.

Um exemplo dessas iniciativas é o TIC – Festival Internacional de Teatro Infantil do Ceará. Desde a primeira edição, o Festival reúne atrações que exploram novas formas de dramaturgias e estéticas para a infância, capaz de alcançar toda a família.

Em 2016, O evento teve a sua 5ª edição com o tema “Lugar de criança é em todo lugar”, fazendo uma referência aos 25 anos do ECA. Para tanto, o Festival ofertou uma programação gratuita para todas as infâncias de 02 a 12 de outubro em Fortaleza e Sobral (Ceará).

Espera-se que mais iniciativas culturais como essa possam surgir, colocando a criança num novo patamar, reconhecendo-a como um indivíduo detentor de direitos essenciais para o seu desenvolvimento e, consequentemente, para o desenvolvimento do futuro da sociedade.

Foto do destaque: Gilbert Mercier, Black kid drawing on clear plastic, Los Angeles (EUA).

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Emidio Sanderson
Emidio Sanderson

cearense, produtor cultural, organizador do Plano de Cultura Infância do Ceará e diretor do TIC - Festival Internacional de Teatro Infantil do Ceará e do Encontro de Narrativas para a Infância