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Por: comKids (Redator)

Desenvolver aplicativos para crianças é criar para usuários que não seguem instruções. E para Anne-Sophie Brieger, diretora de conteúdo e produtora da Sago-Sago – empresa do Canadá voltada à criação de aplicativos pré-escolares – essa é a oportunidade de criar projetos instigantes para quem não tem ideias preconcebidas.

Anne-Sophie está no Brasil para o Festival comKids – Prix Jeunesse Iberoamericano 2015, que até o dia 22 de agosto vai promover em São Paulo mostras competitivas de conteúdos para crianças e adolescentes, mesas de debate nas Conversas comKids e workshops. Confira a programação completa!

O workshop Desenvolvimento de Apps e experiências interativas para crianças (um estudo de caso), que será ministrado por Anne-Sophie nesta quinta-feira, 20 agosto, já está com inscrições esgotadas. Mas ainda é possível conferir a participação da diretora da Sago-Sago na Conversa comKids “Novas gerações, novos conteúdos, outros modos de ver”, que acontece nesta quarta-feira, 19 de agosto, às 19 horas, no Sesc Consolação. As senhas serão distribuídas no local, 30 minutos antes do evento.

Antes mesmo de chegar ao Brasil, Anne-Sophie respondeu por email a algumas questões do comKids sobre o mercado de apps e as novas gerações.

comKids – Na sua opinião, como é um app de qualidade produzido para crianças?

Anne-Sophie Brieger – Aplicativos infantis de qualidade são intuitivos, fáceis de usar e inspiram as crianças a descobrir, criar e imaginar. Na Sago Mini nós projetamos apps que colocam as crianças no centro da experiência. Nós acreditamos que a criança deve dirigir e controlar o que está acontecendo na tela e não ser mandada a fazê-lo.

comKids – Por que é importante incluir crianças durante o processo de desenvolvimento criativo do app?

No centro de tudo o que fazemos está a pesquisa observacional; o play-testing. Temos realizado dezenas de eventos para observar como as crianças interagem com o nosso trabalho. É simplesmente impossível avaliar o valor de uma experiência de jogo sem as crianças. Com o play-testing nós fazemos apps melhores e esse é um componente-chave do nosso processo de produção.
Nós fazemos testes em vários estágios e o feedback das crianças permeia nossas decisões de design. As crianças fornecem pistas valiosas sobre o que funciona e o que não funciona em nossos apps. Nossa equipe cresce ao estar próxima das crianças. Brincamos com elas e observamos como interagem. Isso nos inspira e nos ajuda a gerar novas ideias de aplicativos.

comKids – O que nós podemos aprender com essa geração quando o assunto é tecnologia?
As crianças estão crescendo cercadas por tecnologia e os tablets fazem parte de suas vidas. Elas têm acesso a muita tecnologia e isso mudou a forma como crianças e pais sem comunicam e consumem mídia.
Nós projetamos aplicativos para crianças menores e de idade pré-escolar. Nessa faixa etária, as escolhas sobre ferramentas digitais e de conteúdo são feitas pelos pais. A experiência dos pais pode influenciar no quão confortável eles ficarão a respeito da exposição dos filhos a telas e experiências digitais.
Vemos aplicativos como um instrumento através do qual as crianças aprendem e brincam. Crianças pequenas não têm a mesma história com computadores que nós temos como adultos. Nosso CEO, Jason Krogh, diz que criar para crianças é uma forma extrema de desenvolver design interativo porque você está lidando com usuários que não têm muitas ideias preconcebidas, para quem instruções não são, de forma alguma, uma opção.

comkids –  E o mercado? Estamos criando produtos interessantes para essas crianças e suas expectativas?
O mercado de pré-escola está cheio de aplicativos que são mal concebidos para crianças pequenas; sobrecarregados de instruções, de difíceis interfaces de navegação e apps que são mais sobre marketing do que sobre jogos.
Nós projetamos apps que convidem as crianças a descobrir, a criar e imaginar. Nós gostamos de pensar como os aplicativos podem ajudar as crianças a aprender por conta própria e como elas podem direcionar a experiência. Nós não acreditamos em publicidade de terceiros e em in-app purchases (sistema de compras dentro do próprio aplicativo).