Colunista

Latin Lab

Por: Latin Lab

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Por Carolina Masci

Como fazemos para trazer as propostas científicas dos museus mais renomados do mundo mais próximas dos meninos e das meninas? Tradicionalmente, a resposta dos museus à demanda infantil se centra em programas de educação, visitas especiais para escolas e oficinas de artes durante os feriados e o período de férias. Mas, na era digital, essas iniciativas não são suficientes. Muitas crianças não chegam a conhecer essas atividades porque exigem que tenham acesso aos museus. Assim, quais são as ferramentas que podemos usar para levar as grandes obras às escolas, às casas, às vidas cotidianas das crianças e dos adolescentes? Como aprofundar a função social e educativa dos grandes museus de forma que a arte chegue a muito mais garotos e garotas, interpelando-as em suas próprias linguagens?

A TATE Gallery de Londres, o Museu da Ciência e da Indústria de Chicago e o Museu Van Gogh de Amsterdã são alguns dos que se encontram explorando a via interativa para iniciar um diálogo com as infâncias. Esses tradicionais redutos da arte e da ciência se iniciaram em uma área antes distante dos museus: a produção de conteúdos lúdicos interativos pensados exclusivamente para crianças. Essas iniciativas abarcam diferentes tipos de produções, desde os jogos on-line e as ferramentas de criação digital até os espaços de discussão sobre arte e as propostas de participação pensadas exclusivamente para as crianças.

O melhor é que muitas dessas iniciativas deram como resultado produtos de alto grau de inovação e criatividade, par a par com competidores experientes no ramo. Desse modo, os museus tradicionais estão se erguendo como novos atores no campo da produção de conteúdos interativos destinados às infâncias. Bem-vindos sejam.

A seguir, alguns exemplos:

Galeria TATE (Londres, Inglaterra)

Esta galeria oferece uma página web para crianças, TATE KIDS, diferente do portal institucional, com uma estética vinculada às artes plásticas mas também ao jogo (as crianças podem modificar a arte de fundo da capa). Ao ingressar, se propõem motes para a criação, com a designação “Me inspire”. A seção “Jogos” inclui mais de 15 propostas de intervenção em obras de arte famosas ou criar as próprias, com diferentes níveis de dificuldade. As criações das crianças podem ser guardadas e logo ser mostradas em “Minha galeria”, a seção que lhes permite armar as suas próprias coleções mesclando criações próprias e obras do museu. A página web se completa com um espaço de vídeos inspirados em técnicas de grandes artistas. O inovador projeto (já finalizado) TATE Movie Project merece uma menção aparte, pois convocou meninos britânicos a realizar um filme animado colaborativo que logo se exibiu em salas de todo o país.

Museu da Ciência e da Indústria (Chicago, Estados Unidos)

A proposta digital para crianças deste museu inclui três jogos on-line e três apps que abordam conteúdos de ciência e tecnologia de modo divertido e original. A medalha foi levada pelo jogo Simple Machines (“Máquinas simples”), que trabalha conteúdos da física de modo efetivo e elegante, sem cara de conteúdo escolar, propondo ao usuário que ele supere desafios de obstáculos usando ferramentas como planos inclinados, rodas e alavancas. Este jogo, que se destaca por seus gráficos e desenho de jogabilidade, é uma interessante referência para desenvolvedores de jogos educativos. Os outros dois jogos, You! The ExperienceCode Fred, abordam temas de química e biologia de forma detalhada, mas sem impressionar. Quanto às apps para dispositivos móveis, são mais educativas do que lúdicas e são aptas para crianças pequenas e grandes. Permitem conhecer o funcionamento de um coração (Virtual Heart), combinar elementos químicos para obter reações (Go React) e experimentar com novos alimentos para melhorar a alimentação (Chew or Die).

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Museo Van Gogh (Amsterdam, Holanda)

O eixo da proposta infantil é o convite para que realizem maquetes a partir de elementos presentes nas obras de Van Gogh. Na seção infantil da página web, são dadas as instruções de como fazer uma maquete recortando e colando figuras, A proposta tem seu complemento digital no jogo interativo Camille’s Diorama (o diorama de Camille), que convida aos internautas a realizar uma maquete com os mesmo elementos mas de forma virtual. O jogo permite explorar uma galeria de arte de Van Gogh, eleger elementos das obras, diminuí-los, aumentá-los ou localizá-los dentro de uma caixa para montar uma cenografia original. Uma vez terminada, a maquete pode ser navegada desde diferentes pontos de vista, e ser compartilhada em uma galeria virtual.

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MoMA (Nova Iorque, Estados Unidos)

O aplicativo MoMA Art Lab (disponível para iPad) convida a meninas e meninos ( e porque não a adultos) a desenhar, pintar ou compor sequências musicais a partir da inspiração dada por obras e artistas da coleção do museu. Pensada para crianças de sete anos ou mais, este app é um laboratório de arte para aprender sobre artistas como Henri Matisse, Alexander Calder e Elizabeth Murray, criar obras colaborativas e comparti-las com outros. A aplicação inclui ferramentas de segurança para os pais (que permitem habilitar os conteúdos que serão compartilhados com as crianças) e dublagens de áudio para pré-leitores.

E vocês? Que outras propostas de museus para crianças vocês conhecem? Esperamos os seus comentários!

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LATINLAB é um laboratório de investigação, criação e reflexão em torno da televisão infantil e das multiplataformas na América Latina.