Colunista

Vanessa Fort

Por: Vanessa Fort

Tivemos o prazer de acompanhar o primeiro final de semana do FIL – Festival Internacional de Intercâmbio de Linguagens, no Rio de Janeiro e curtir uma série de lindas produções de todo o mundo. Elas todas com uma mistura incrível de linguagens, sempre proporcionando um prazer estético que toca o coração. De verdade.

Conseguimos assistir muitas coisas:  “Sozinha na minha pele de asno” (França/Brasil), “Edredon” (Canadá), Supend’s (França/Brasil), entre outras coisas lindas, como o “Songs from above” (ou “Música que vem do céu”), espetáculo dinamarquês que assistimos na manhã do último domingo, quando fomos recebidos pela equipe do Festival no Teatro do Jockey – o Centro da Cultura da Infância, mais importante espaço de Teatro Infantil do Rio de Janeiro.

Antes que a gente entrasse numa espécie de tenda-instalação de estrela, onde aconteceria a peça, tivemos que tirar os sapatos (acho mesmo que sonhamos com os pés descalços!). E foi assim: entramos na tenda para sonhar. Fomos recebidos e acolhidos carinhosamente pela atriz Lisa Becker. Ela nos proporcionou um momento incrível: sendo brasileira, conduziu todo o espetáculo em português (ela vive há mais de 7 anos na Dinamarca, país sede da companhia Teater Refleksion).

Com um misto de história musical e poesia onírica, “Música que vem do céu” promove o silêncio em pausas profundas e olhares sorridentes da atriz que fazem com que cada verso e imagem cheguem fundo, nos emocionem. “A gente precisa de um barco para navegar. Não importa se ele é feio ou bonito. O que importa é se a gente gosta dele.” Com singelos textos, acompanhados com surpreendentes e pequeninas instalações no “coração” de estrelas espalhadas pelo cenário-instalação (que ganham um manuseio delicado da atriz), a gente entende que o espetáculo é para crianças pequeninas e para pessoas de qualquer idade. Alcança a essência do simples que, muitas vezes, ficamos distantes. Bem distantes.

Como a criança que está construindo a sua ideia do outro, os adultos também estão.  “Eu e você”, “Você e eu”, o texto sempre conta. “Te vejo. Não te vejo. Te vejo. Não te vejo”, uma brincadeira da personagem que nos encanta a todos por afinidade. “Enquanto durmo, fico de olhos fechados. Acordo e fico de olhos abertos para ver você. Vejo você.” Em versos de singela poesia, tudo é conduzido para experimentarmos sensações delicadas e sentirmos o diferente que nos aproxima.

“Às vezes nos irritamos com quem a gente gosta. A vida é assim mesmo”. Neste domingo, aprendemos que a vida é para ser vivida naturalmente, de maneira tranquila, até na dor (ou na irritação, que conhecemos desde pequenos).

A gente foi ao teatro para se inspirar e sonhar. E para viver também.

Veja trechinho da peça (em dinamarquês – mas vale pelas imagens):), com a interpretação de Mette Rosleff:

Songs from above (ou Músicas que vem do céu)
Teater Refleksion
Ficha técnica: Intérpretes: Lisa Becker e Maria Rusz, Texto: Mette Rosleff, Diretor: Bjarne Sandborg, Marionetes e cenários: Mariann Aagaard, com assistência de Sofie Hastrup, Música: Martin Vognsen, Iluminação: Jesper Hasseltoft

Acompanhem aqui e aqui toda a programação do FIL, que termina dia 29 de setembro.

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Vanessa Fort
Vanessa Fort

Roteirista e produtora