Colunista

Diana Díaz-Soto

Por: Diana Díaz-Soto

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De uns anos para cá, a Colômbia tem sido o lugar no qual alguns protagonistas atraentes ganharam vida e nos contaram algumas histórias curiosas… um burro de tons pastel, um amigo imaginário com folhas na cabeça, meninos viajantes que fazem novos amigos por três dias, heróis míticos conquistando o futuro, um explorador que prefere o caminho longo e perigoso, uma iguana rosada e inteligente, uns meninos de trapo que descobrem sons e instrumentos, um roedor que vive em um mundo branco, contos e canções criadas por crianças de três anos, uma menina com coração de pimenta, entre outros que fazem parte da oferta variada de conteúdos para as crianças colombianas.

Essas histórias e seus protagonistas falam do apogeu da produção de conteúdos infantis na Colômbia, como resultado de várias iniciativas que estimularam a investigação, a criação e o talento audiovisual. Vários desses produtos transcenderam as nossas fronteiras e os seus produtores ganharam prêmios e reconhecimento. O fortalecimento da faixa infantil da Señal Colombia, os editais de estímulos, o apoio e os processos de qualificação de várias entidades como o Ministério da Cultura, o Ministério das TIC e o Distrito Capital, o aumento de número de produtores independentes interessados em realizar conteúdos de qualidade para crianças são alguns dos fatores que incidiram para que o país contasse com essa interessante oferta para a infância.

Em geral, podemos dizer que neste caminho temos buscado fazer as coisas bem feitas e que temos conseguido. O resultado, como já disse, é a diversidade de títulos que enriquece o nosso catálogo colombiano de produção.

Devido à conjuntura que o país vive, às convergências das telas e aos desafios da televisão, pode ser o momento de nos fazermos perguntas que nos auxiliam a seguir adiante no caminho, resolvendo aspectos pendentes no trajeto avançado até agora. Assim, trago aquelas que, creio, são questionamentos que podemos fazer para seguir adiante.

Quanto estamos levando em conta as crianças ao projetar nossos conteúdos?
Não se trata de fazer com que as crianças obrigatoriamente tenham que fazer parte do processo de produção, mas que, quando estivermos desenvolvendo uma produção, tenhamos em mente aquelas crianças às quais queremos chegar. Que conheçamos seus interesses, expectativas e perfis e ponhamos todo o processo de projeto, produção e circulação de conteúdo para fazer com que esse público se conecte com nossa proposta.

Até que ponto e em que medida esses conteúdos estão beneficiando aos seus públicos?
Essa é a pergunta pela circulação, o posicionamento e a audiência. Fala a respeito do verdadeiro alcance que estamos atingindo com nossos conteúdos e a maneira como as crianças de nossa audiência desfrutam, se divertem e se espantam com esses personagens e suas histórias coloridas. Questiona também se as telas nas quais estamos exibindo nossos conteúdos são as corretas, e se nossos conteúdos existem de modo eficiente e eficaz.

Como fortalecer a produção de conteúdos infantis nas regiões da Colômbia?
A relação canal – produção independente – entidades públicas acontece de maneira muito bem sucedida no nível central, com perspectiva nacional. Mas essa fórmula ganhadora ainda não se aplicou nas regiões do país nas quais há igualmente a presença de canais regionais, estímulos institucionais, produtores independente e, inclusive, outros atores que podem somar, como festivais internacionais, e universidade com cursos relacionados. A experiência acumulada no nível central pode ser compartilhada e adaptada a zonas como o Caribe, o Pacífico e os Santanderes em uma primeira instância, para depois ampliar-se a todas as regiões do país.

Quais são os conteúdos pertinentes para o momento que a Colômbia está vivendo hoje em dia e para os processos de transição que nos esperam?
A formação de cultura política, o exercício cidadão e democrático, as relações sociais estabelecidas desde a aceitação, o respeito e diversidade são temas que se tratam desde os universos discursivo e semântico há certo tempo, mas é hora de assumir um papel ativo na produção de conteúdos infantis e começar a fazer propostas que se comprometam com a dimensão política e social das audiências. Isso não significa ser panfletário, nem ativista, mas explorar histórias, personagens, estéticas e linguagens que nos permitam assumir esse desafio com imaginação e criatividade.

Tenho muitas perguntas ainda que, como essas, tornariam esta coluna interminável; outras questões pendentes são: como estabelecer relações com outros setores como a economia, o trabalho, a saúde, a educação, o meio ambiente, para tirar a cultura em geral, e aos conteúdos infantis, em particular, do lugar de marginalização que se encontram dentro da agenda pública? Como formar um talento que assuma papeis determinantes para os conteúdos infantis como a programação e a distribuição? Qual é o estado atual da maioria das crianças na Colômbia com respeito a suas necessidades básicas e o respeito de seus direitos fundamentais e como estamos considerando as suas condições em nossas propostas? Como trabalhar conteúdos inclusivos nos quais as minorias se vejam refletidas e identificadas?

Como é evidente, pelo atual momento tenho mais perguntas que respostas. Esta é uma versão breve do panorama que vejo atualmente na Colômbia, que pode ser similar ao de outros países da América Ibera. Em outros territórios possivelmente essas questões já podem ter sido superadas, mas com certeza terão seu próprio inventário de pendências. O importante é que, por mais bem sucedido que sintamos que estamos sendo com respeito à criação de conteúdos infantis, essa audiência é tão importante, tão mutável e se renova tão frequentemente que não podemos nos dar o luxo de nos conformar com as conquistas. Daí a importância de nos questionar com certa periodicidade.

Até a próxima!

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Diana Díaz-Soto
Diana Díaz-Soto

Comunicadora social com ênfase em comunicação educativa pela Universidade Javeriana, especialista em educação / comunicação pela Universidad Central e mestra em estudos culturais pela Javeriana. Atualmente, é diretora do Señal Colombia. Coordena o projeto de comunicação cultural e infancia para a área de comunicações do Ministério de Cultura da Colômbia. Tem experiência na conceptualização e no seguimento a projetos de televisão educativa e cultural para a televisão pública colombiana e é redatora de informes técnicos e sistematizações. Apaixonada, é uma principiante na escritura de narrativas curtas e em ilustração.