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Por: Giovana Botti (Redator)

Um festival de cinema infantojuvenil que não só premia produções de qualidade, mas também oferece atividades de capacitação em audiovisual para crianças e adolescentes, movimentou Bogotá no mês de outubro. A última edição do Festicine – Festival de Cine: Infancia y Adolescência – reuniu na capital colombiana uma seleção privilegiada de criações nacionais e internacionais e mais de 5.500 espectadores, entre crianças, jovens, pais e professores.

Pela primeira vez, desde a primeira versão do festival, a plateia também experimentou a arte da produção, em oficinas de elaboração de roteiros. Para os organizadores, formar o público em processos audiovisuais é contribuir para a visão crítica dos espectadores das futuras gerações e está na lista de objetivos do festival: “Promover Bogotá como cidade pioneira na América Latina em prol de uma infância e uma adolescência visível, protagonista e plena de direitos através da construção audiovisual de sua imagem e identidade.”

Essa preocupação social está na gênese do Festicine. O festival nasceu há cinco anos, a partir da troca de ideias de um grupo de amigos do setor audiovisual. Entre os amigos que se uniram nesta causa estava Darío Rojas, o diretor do Festicine, que trabalha no setor há mais de 20 anos. “Vi que não havia conteúdos cinematográficos para a infância e a adolescência em nosso país”, aponta Darío, que decidiu apostar no festival como polo de fomento para o setor. “Festivais como esse contribuem para a construção de uma infância e uma adolescência mais humana, justa, visível e crítica através da magia do audiovisual.”

Darío conta que o grupo teve de financiar as duas primeiras versões do Festicine, que hoje, a caminho da quinta edição, já angaria apoio de muitas organizações públicas e privadas colombianas. Este ano, o festival ocupou onze espaços públicos de Bogotá para exibições audiovisuais, workshops e debates.

Foram mais de 90 eventos na programação inteiramente gratuita dos dias 22 a 25 de outubro. O Festicine recebeu inscrições de 131 produções de 21 países para a mostra competitiva, que selecionou 87 criações nas categorias Animação, Ficção e Documentário, com premiações também para realizadores amadores.

O vencedor em Animação, na modalidade profissional, foi a produção espanhola Bajo La Almohada, da diretora Isabel Herguera, realizada a partir de desenhos e vozes originais de um grupo de crianças internadas em uma clínica na Índia, sem acesso ao mundo exterior. No prêmio para peças amadoras, o vencedor foi o americano Mirage, do diretor Iker Maidagan. Resultado de uma tese de estudantes da Escola de Artes Visuais de Nova York, o filme é uma envolvente história sobre um menino do deserto ártico que descobre um universo paralelo sob as águas congeladas.

Eitb Kultura: ‘Bajo la almohada’, de Isabel Herguera – Lucania Festival 2013 Selection from Lucania Film Festival on Vimeo.

Na categoria Ficção, o profissional vencedor foi About Ndugu, do diretor espanhol David Muñoz, que filmou no Quênia a história de um menino de 9 anos. Ele recebe a carta de seu pai adotivo, o Sr.Schmidt, que vive na América e acaba de perder a esposa. E se você teve a impressão de reconhecer essa referência de algum lugar, deve ter visto o filme About Schmidt (As Confissões de Schmidt na versão em português), estrelado por Jack Nicholson. No filme de Muñoz, Ndugu seria o filho dele, que tenta, na África, encontrar uma nova esposa entre as viúvas de uma aldeia. Todas as pessoas que atuaram no filme são moradoras de uma pequena vila, a três horas de Nairóbi, e os diálogos entre os pequenos e as viúvas da aldeia são reais, gravados no improviso.

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About Ndugu – de David Muñoz (frame do filme)

Na modalidade amadora em ficção, Víctor Hugo Valencia, estudante da Universidade Nacional da Colômbia, levou o prêmio por Destellos. Também amador, o colombiano Cuando Voy a la Escuela, de Carlos Alberto Otalvaro e Gustavo Hincapié, venceu na categoria documentário. E o registro do dia a dia nas salas de maternidade dos hospitais públicos de Bogotá recebeu o prêmio principal da categoria com Nascer, Diário de Maternidade, do diretor Jorge Caballero.

O amadurecimento do festival acontece em um bom momento para o audiovisual na Colômbia, que, segundo Darío, tem crescido no compasso da abertura de novos canais de difusão. “Na América Latina o audiovisual segue crescendo forte devido à grande demanda de canais de comunicação, ainda que seja difícil competir com a indústria e com os canais comerciais”, aponta Darío, que defende mais investimento na cultura de formação do espectador crítico.

As atividades de capacitação para crianças no Festicine são um passo nesse caminho. Meninos e meninas de idades entre 6 e 13 anos dirigiram os curtas A Sala 206 e O Feitiço do Reino dos Livros. “O objetivo é orientar as crianças sobre uma outra maneira de olhar a vida a partir de uma lente e sobre como moldar seus próprios sonhos e histórias de vida. Para que eles se tornem visíveis no filme”, reflete Darío.

O Festicine teve uma sessão especial do comKids, com produções latinoamericanas de conteúdo de excelência para crianças e adolescentes. O playlist da sessão inclui duas criações brasileiras e produções que participaram do Festival comKids Prix Jeunesse Iberoamericano 2013, realizado em junho em São Paulo. A seguir, as produções da sessão comKids exibida na Colômbia.

¿CON QUÉ SUEÑAS? – TRINIDAD ANWANDTER DÍAZ
Paula Gómez Vera
Mi Chica Producciones (Santiago)
TVN, Chile, 2010

MEDIALUNA Y LAS NOCHES MÁGICAS – EL ECLIPSE
Esteban Gaggino, Lucia Colombo
Focus, Pakapaka,
Argentina, 2012
Finalista do Festival comKids Prix Jeunesse Iberoamericano 2013, Brasil

O GIGANTE
Julio Vanzeler, Luís da Matta Almeida, Igor Pitta Simões
Pilot Design, Zeppelin Filmes, Sparkle Animation, AbanoProducións e Igor Pitta Simões
Brasil/Portugal, 2012

JULIETA DE BICICLETA
Marcos Flávio Hinke, Jaqueline M. Souza
Usina Audiovisual
Brasil, 2012
Finalista do Festival comKids Prix Jeunesse Iberoamericano 2013, Brasil