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Por: Giovana Botti (Redator)

A série de animação nacional Osmar – A Primeira Fatia do Pão de Forma nasceu como uma HQ. Depois virou piloto de série e ganhou o prêmio MIP Junior no Festival de Cannes em 2009, eleito por um júri infantil. Desde então, a animação da produtora 44 Toons passou por várias outras transformações, entre parcerias comerciais, mudança de faixa etária no target, novos tons de humor e narrativa. Acompanhe a seguir a entrevista com a 44 Toons, que revela os desafios desse processo e conta sobre os projetos.

comKids: A 44 toons é uma produtora que tem uma série de projetos de animação, o que inclui longa metragem e games. Como a trajetória e o posicionamento da produtora se misturam entre estes dois caminhos?

44T – A 44 Toons nasceu da 44 Bicolargo, uma produtora de games. Em 2002 ganhamos o prêmio da Academia Brasileira de Cinema com o curta “A Lasanha Assassina”, mas o mais curioso é que nós sempre produzimos conteúdo infanto-juvenil, não importando para qual mídia o produto se destinava. De 2008 para cá, nós começamos a produzir o longa “Bugigangue no Espaço”, a série e longo homônimo do “Osmar – A Primeira Fatia do Pão de Forma”, além de outras duas séries – uma que se chama “Tordesilhas” e outra que se chama “Bobolândia, Mosntrolândia”. Ainda estamos negociando o longa “A Lasanha Assassina” com um estúdio do Canadá para uma possível co-produção. Ou seja, tudo que produzimos leva tempo para ser criado e mais ainda para entrar em produção de fato. Para cada um desses IPs, existe um universo de produtos que foram idealizados pela 44: jogos de diferentes tipos, HQs, narrativas que se complementam. Temos também uma divisão de games e treinamos nossos profissionais na casa, uma vez que alguns desses postos de trabalho são novos.

comKids: A série Osmar passou por um amadurecimento editorial e de narrativa, desde a época de projeto de curta. Como ela chegou até os momentos atuais com maioridade de seriado?

44T – O Osmar nasceu como uma HQ underground, depois disso virou um livro animado interativo, em CD ROM. O universo da série, com a cidade de Trigueirópolis, e com os personagens do café da manhã foram criados no momento em que desenvolvemos o Piloto. Aproveitamos um edital de curta metragem para financiá-lo. O piloto/curta foi contemplado com o edital da Petrobras e, com o investimento, foi possível pesquisar muitas das soluções que foram definindo o universo do “Osmar”. O piloto venceu o prêmio MIP JR KIDS Jury de 2009, para crianças de 11-14 anos. A parceria com o Gloob surgiu quando estávamos iniciando a pré-produção da série. Como a faixa etária do canal é mais jovem, foi preciso adequar o projeto para essa idade. Porém era importante manter o interesse do público mais velho, já que a TV Cultura entrou no projeto exatamente pelo diálogo com pré-adolescentes e adultos. Isso nos obrigou a desenvolver uma série “Família”, isso é, uma série que possa ser apreciada por crianças e adultos. Isso nos obrigou a criar camadas distintas no roteiro, colocando piadas que funcionassem para adultos e crianças. Foi um desafio, mas acredito que cumprimos. Para deixar a série preparada para as vendas internacionais, trouxemos um estúdio americano especializado em roteiros de animação. Os roteiros eram traduzidos para o inglês, eles faziam sugestões e criavam novas piadas (trabalho conhecido como “Humor Punch Up”), os roteiros eram retraduzidos e finalizados pelo roteirista responsável.

comKids: Os roteiros do Osmar são cheios de humor e referências à cultura pop, como Michael Jackson, por exemplo.

44T – Essas referências a elementos do imaginário popular de diferentes idades é que garantem níveis distintos de compreensão. Para a faixa etária mais jovem, o humor físico é mais importante, para os mais velhos, o diálogo irônico. Para os adultos, referências, ironia e piadas escondidas. Essa foi a fórmula que definimos. O Mike de Seve (roteirista e diretor americano) é especialista nesse tipo de humor. A entrada dele no projeto trouxe maturidade e um modo mais pragmático de trabalhar com esse conceito.

comKids: Como foi a participação de Marcius Melhem e Leandro Hassum no projeto?

44T – Estamos falando de dois dos maiores comediantes do país. É sempre bom lembrar que, em animações originais, as vozes são gravadas antes da animação ser feita. Isso deu muita liberdade ao trabalho de ambos. Leandro e Marcius, trabalharam livremente, podendo acrescentar muito às falas originais. Muitas vezes gravamos com os dois no estúdio e isso trouxe dinamismo. Os diálogos entre Stevie e Osmar ganharam muito, incorporando ao desenho o entrosamento que a dupla tem de outros trabalhos.

comKids: Como foi o financiamento do projeto?

44T – Usamos o FSA (Fundo Setorial do Audiovisual) para o financiamento da primeira temporada. Um mecanismo de fomento da Ancine que possibilita esse tipo de investimento. O Gloob e a 44 Toons agregaram valores e as contrapartidas definidas pela Ancine para completar o orçamento.

comKids: Quais os desafios de um projeto como esse? E do planejamento de produção que, inclusive, envolve o canal?

44T – A produção do Osmar teve que ser comprimida para atender o Gloob, que precisava estrear a série em Novembro de 2013. A pré-produção levou tempo. Escrevemos os roteiros com folga e tivemos tempo para criar concepts, arte, desenvolver uma biblioteca de animações a serem usadas, etc. Diferente da fase de produção dos episódios. A animação em si foi realizada em 10 meses. O planejamento para a produção teve variantes calculadas e tivemos que adequar a produção aos episódios escritos. São mais de 260 personagens secundários e por volta de 180 cenários.