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Por: Giovana Botti (Redator)

Uma dupla de meninas negras detetives em meio ao mistério do assassinato de um professor de artes é a história de estreia da diretora artística britânica Sharna Jackson como autora infantil. Voltado para crianças de 9 a 12 anos de idade, “High Rise Mystery” é o primeiro livro de uma série com personagens diversos e potentes como as infâncias e juventudes merecem ser representadas na arte.

Sharna dirige o Site Gallery (Inglaterra) e já esteve no Brasil, no Festival comKids Interativo (2018), para compartilhar experiências inovadoras de engajamento artístico com o público infantil. 

– Ao longo da minha carreira, a pergunta que fiz a mim mesma em todas as funções que desempenhei e em meus projetos é: “Como posso tornar as artes e a cultura acessíveis e envolventes para públicos diversos e menos engajados?” Escrever “High Rise Mystery” foi uma outra forma de responder a essa pergunta.

High Rise Mistery e a diversidade na literatura infantil

comKids – Seu livro é sobre duas irmãs, meninas detetives negras em um caso de mistério. Você já comentou sobre o padrão de personagens brancos nos livros infantis e o quanto você, como leitora jovem, também já sentiu com a falta de representação na literatura para crianças.  

SJ – Quando eu era criança, lendo todos os tipos de livros, as crianças eram brancas – o padrão na minha cabeça era “branco”. A menos que o personagem fosse negro, isso não seria dito. Todas as crianças precisam ver a si mesmas e as outras refletidas na cultura. Para mim, a representação leva à empatia. A visibilidade é extremamente importante, mas também é necessário livrar-se de estereótipos e de personagens planos, de um só tipo, personagens só de apoio, sem protagonismo.

– A representação de garotas inteligentes, aguçadas por curiosidade e saber, propõe outro tipo de representação. Também foi uma motivação para o livro?

SJ – Exatamente. Eu não quero apenas ler sobre crianças negras em narrativas baseadas em “questões”. Essa não é a única experiência de crianças negras. Por que eles não podem existir em gêneros “brancos”? Por que as crianças negras não conseguem ver a si mesmas sendo inteligentes, criativas e se divertindo?

Sharna Jackson, diretora artística e escritora infantil britânica

– Como curadora, você está sempre pensando em engajar crianças nas artes. Como envolve-las mais crianças na literatura? Interatividade? Existe algum plano para um projeto transmídia com o seu livro?

SJ – Eu adoro interatividade, e certamente seria divertido criar um projeto transmídia em torno de “High Rise Mystery” – é inerentemente interativo e semelhante a um jogo. No entanto, não acho que tenhamos que tornar os livros “digitais” para incentivar mais crianças a lê-los. Precisamos de livros para ter personagens, enredos e histórias que tenham apelo natural voltado a eles, que reflitam suas experiências e ao mesmo tempo possam expandir seus horizontes e potenciais.